UM SEGREDO ASTRONÔMICO ESCONDIDO NA ODISSEIA

UM SEGREDO ASTRONÔMICO ESCONDIDO NA ODISSEIA

23:00
SpaceToday SpaceToday

Existe uma linha no vigésimo canto da Odisseia em que o vidente Teoclímeno se levanta em meio ao banquete dos pretendentes de Penélope e anuncia que o sol foi obliterado do céu e uma escuridão de mau agouro invade o mundo. É apenas uma frase, plantada num poema composto talvez no oitavo século antes de Cristo, mas ela intriga leitores há dois milênios. Plutarco e Heráclito, o Alegorista, já a interpretavam como memória literária de um eclipse solar total. Nos anos 1920, os astrônomos Carl Schoch e Paul Neugebauer calcularam que o único eclipse compatível com a época da queda de Troia seria o de 16 de abril de 1178 antes de Cristo, visível justamente sobre as ilhas Jônicas — mas a hipótese sempre esbarrou num problema: aceitar o eclipse implica admitir que dados astronômicos precisos foram preservados oralmente por cerca de quinhentos anos antes de a Odisseia ser fixada em escrita. Em julho de 2008, os cientistas Constantino Baikouzis, do Observatório Astronômico de La Plata, e Marcelo Magnasco, do Laboratório de Física Matemática da Universidade Rockefeller, publicaram no Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos um artigo com um título em forma de pergunta: um eclipse é descrito na Odisseia? A estratégia deles foi radical. Em vez de defender o eclipse, ignoraram completamente a passagem de Teoclímeno e foram atrás de outras referências astronômicas escondidas no poema. Encontraram quatro. A primeira é a lua nova, mencionada cinco vezes como o dia da festa de Apolo em que ocorre o massacre — e um eclipse solar só pode acontecer numa lua nova. A segunda é a configuração específica das Plêiades a oeste e do Boötes tardio a leste, observada por Odisseu enquanto navegava por vinte e nove noites depois de deixar Ogígia. A terceira é Vênus visível ao amanhecer, cinco dias antes do massacre. A quarta é a viagem de Hermes até Ogígia, que os autores identificam com o planeta Mercúrio no exato dia de sua máxima elongação a oeste e do sterigmos — o po